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João Pessoa recebe equipe da USP para acompanhamento de pesquisa que avalia nova metodologia do Programa Primeira Infância

João Pessoa é uma das seis cidades brasileiras selecionadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS)...

20/08/2026 19h11
Por: Redação Fonte: Prefeitura de João Pessoa - PB
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

João Pessoa é uma das seis cidades brasileiras selecionadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) para participar da Pesquisa de Reordenamento do Programa Primeira Infância – antigo Criança Feliz – no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O estudo é desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e avalia uma nova metodologia para o atendimento de gestantes e crianças na primeira infância no âmbito da proteção social básica.

Nesta quinta-feira (20), a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuc) recebeu a visita de representantes da instituição de ensino superior, ação que acontece por meio do Centro de Desenvolvimento Infantil (CEDI) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano (SEDH). O Município integra um ensaio randomizado que também contempla outras cidades da Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte.

Durante a visita, a equipe acompanhou de perto o trabalho desenvolvido pelos profissionais do serviço e realizou visitas as famílias participantes do projeto em diferentes territórios da Capital. A programação passou por Mandacaru, na Comunidade Alto do Céu; Valentina de Figueiredo, na Comunidade Torre de Babel; e Ilha do Bispo, no Condomínio do Sassá.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB
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Para a secretária de Direitos Humanos e Cidadania de João Pessoa, Késsia Liliana Bezerra, a participação da Capital na pesquisa representa uma oportunidade de fortalecer a política de assistência social e consolidar o atendimento domiciliar como uma estratégia de aproximação com as famílias.

“A USP esteve presente aqui conosco hoje, através de seus representantes. Essa pesquisa vem validar esse novo serviço, que passa a ser agora da Proteção Básica em domicílio. É a assistência social indo até a casa, chegando onde muitas vezes não conseguia chegar”, destacou.

Segundo a secretária, a mudança representa uma ampliação da capacidade de cuidado e proteção ofertada pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS). “Essa assistência chega em forma de cuidado, em forma de oferta de serviço e de proteção. E esse olhar possibilita que nós tracemos o caminho correto para que a assistência venha de forma eficaz e esteja na casa de cada cidadão”, completou.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

Aprimoramento da metodologia – À frente do projeto de pesquisa, a professora Alexandra Brentani, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP e diretora do Centro de Desenvolvimento Infantil da universidade, explicou que a etapa realizada em João Pessoa tem como objetivo acompanhar a execução do serviço diretamente nos territórios e, ao mesmo tempo, construir coletivamente os aprimoramentos da metodologia. “A ideia de hoje é ver o trabalho em campo, ver essas famílias e ver como a visita acontece na prática”, explicou.

Em uma das visitas, a professora elogiou a dinâmica desenvolvida pelo educador responsável pelo acompanhamento da família e ressaltou a importância da integração entre os diferentes serviços que compõem a rede de proteção social como forma de ampliar o acesso das famílias aos seus direitos. “Eu saio daqui feliz, confiante de que estamos no caminho certo”, afirmou Alexandra Brentani.

A pesquisadora destacou ainda que a equipe está visitando os municípios contemplados pelo projeto para revisar a metodologia em conjunto com as gestões locais e monitorar a execução do serviço voltado às famílias e crianças na primeira infância. As famílias participantes foram selecionadas a partir de sorteio entre aquelas cadastradas no CadÚnico. A pesquisa deve ser concluída em março de 2027, após o período de visitas e acompanhamento dos municípios participantes.

A gerente executiva da Proteção Social Básica da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano, Gilmara Oliveira, ressaltou que a participação conjunta dos diferentes entes envolvidos é fundamental para que a pesquisa contribua para a consolidação da nova metodologia em todo o País. “A contribuição do Município nesse momento e de todos os entes envolvidos é justamente para que essa pesquisa tenha o melhor resultado possível e sirva de exemplo como metodologia para todo o Brasil”, explicou.

Ela destacou ainda que a proposta é assegurar que o serviço esteja alinhado às diretrizes do SUAS e fortaleça a proteção às famílias e às crianças na primeira infância.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

Construção coletiva – A coordenadora da Proteção Social Básica, Ceiça Andrade, ressaltou que o momento é marcado por uma transição na forma de execução do serviço, exigindo acompanhamento e qualificação permanente dos profissionais envolvidos. “Estamos em um momento de migração entre as políticas, saindo da dinâmica como o Criança Feliz, que já vinha sendo desenvolvido e agora exercitando e introduzindo os novos ensinamentos sugeridos pelo projeto da USP”, observou.

Segundo ela, o processo envolve a revisão de práticas e a construção coletiva de uma nova perspectiva de atendimento. “Estamos nessa desconstrução de uma política e na construção de outra, cada vez mais efetiva, em uma construção coletiva”, afirmou.

Na prática, o cuidado vira aprendizado – Para as famílias acompanhadas, a proposta se traduz em momentos simples do cotidiano que estimulam o desenvolvimento infantil e fortalecem a participação dos responsáveis. Nas visitas, Fernanda da Silva, mãe de um menino de dois anos, contou como as atividades propostas pelo educador passaram a fazer parte da rotina da criança.

Entre as atividades, ela citou uma brincadeira de montar copos, formando uma espécie de pirâmide. Segundo ela, a dinâmica despertou novas formas de interação com o filho e trouxe atividades que antes não faziam parte da rotina familiar. “Tudo que eles ensinaram eu nunca tinha feito com ele. Antes era mais desenho na televisão e ensinava algumas palavras. Essa coisa de estar no chão, ensinando, fazendo junto, eu não fazia”, relatou.

A mãe também percebeu mudanças no desenvolvimento da criança desde o início do acompanhamento. O que mais chama sua atenção é a velocidade com que a criança passou a aprender e ampliar sua comunicação. “Ele aprende muito rápido. É um papagaio, ele está fazendo tudo que manda fazer”, contou, sorrindo.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

Segundo ela, o progresso no vocabulário foi um dos principais avanços percebidos ao longo do ano. “Ele está com um vocabulário muito extenso. Eu estou muito feliz com isso, porque durante esse ano ele progrediu muito. Ele nem falava direito, confundia muitas cores, confundia objetos, e agora está com um trabalho muito bom. Estou muito feliz com esse progresso”, comentou.

As visitas as famílias assistidas pelo programa acontecem duas vezes por mês. Mais do que uma atividade recreativa, essas experiências permitem trabalhar habilidades de concentração, coordenação, linguagem e interação, enquanto fortalecem o vínculo entre a criança e a família.

Próxima etapa – A agenda da equipe da USP em João Pessoa segue até esta sexta-feira (21). O encerramento desta etapa acontece no auditório do Centro Administrativo Municipal (CAM), em Água Fria, com um momento de avaliação junto a coordenadores, técnicos da assistência social e educadores que atuam no serviço.

O encontro será destinado à discussão das experiências observadas em campo, dos avanços identificados, dos pontos que ainda precisam ser aprimorados e das possibilidades de aperfeiçoamento da metodologia.

A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura de João Pessoa com o fortalecimento da primeira infância e com a construção de políticas públicas de assistência social cada vez mais próxima das famílias, articuladas com a rede de proteção e orientadas pela garantia de direitos.

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