
Referência no cuidado integral à pessoa com deficiência, o Centro Especializado em Reabilitação de porte IV (CER IV) – Espaço Acolher, localizado no Parque das Três Ruas, no bairro dos Bancários, oferece atendimento especializado em reabilitação auditiva, física, intelectual e visual.
O serviço, ofertado pela Prefeitura de João Pessoa, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), integra a Rede Municipal de Saúde e atua na assistência especializada em reabilitação, reunindo diferentes áreas de cuidado e uma equipe multiprofissional, com foco na promoção da autonomia e na melhoria da qualidade de vida.
No Espaço Acolher, o cuidado vai além da terapia individual e alcança também a realidade das famílias que acompanham o processo de reabilitação. É o que vivencia Geísia Lima da Silva, mãe de quatro filhos, entre eles Miguel Elias, de 11 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos dois anos de idade. Para se dedicar aos cuidados do filho, ela precisou deixar o trabalho e passou a vivenciar de perto os desafios da rotina de uma mãe atípica.

Nesse percurso, a atenção humanizada e o acolhimento oferecidos pelos profissionais do CER IV se tornaram também uma importante rede de apoio para a família. Durante um dos atendimentos de Miguel, Geísia precisou de suporte psicológico de urgência e foi cuidada pela equipe. A partir da escuta dos profissionais, foi identificada a necessidade de acompanhamento em saúde mental, ampliando o olhar do serviço para além das necessidades específicas do paciente.
Para Geísia, essa atenção faz diferença não apenas no acompanhamento do filho, mas também na forma como ela consegue conviver com processo terapêutico. “Desde que coloquei os pés aqui não me senti mais sozinha, me sinto amparada, acolhida. Para meu filho ficar bem, eu preciso estar bem também”, resume.

A atuação integrada das diferentes áreas também está presente na história de usuários que chegam ao Centro em busca de recuperar funções comprometidas e conquistar mais independência no dia a dia. É o caso de Manoel Elias da Silva, que realiza acompanhamento no CER IV após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
A fisioterapeuta Patrícia Kelly Facciolo acompanha o processo de reabilitação do usuário há cerca de três anos e destaca a evolução alcançada com o trabalho conjunto das diferentes especialidades. “Manoel é acompanhado há cerca de três anos. Ele era atendido no CER II e veio para o CER IV junto com a equipe. Quando chegou, após as sequelas de um AVC, não andava, era totalmente dependente da família e tinha muita dificuldade para falar e engolir. Hoje, com o trabalho conjunto da fisioterapia e da fonoaudiologia, já consegue ficar em pé e andar com o auxílio de um andador, além de ter evoluído na deglutição e na comunicação”, relata.

Encaminhamento – O acesso ao Centro começa na Atenção Primária à Saúde, a partir da avaliação realizada na Unidade de Saúde da Família (USF). Quando identificada a necessidade de reabilitação especializada, o profissional realiza o encaminhamento por meio de formulário específico. A solicitação segue para a Regulação, que avalia a necessidade e a prioridade de cada usuário antes do direcionamento ao CER IV.
Segundo a diretora do CER IV, Deborah Montenegro, esse fluxo permite que o usuário chegue ao serviço de referência a partir de uma avaliação prévia e seja inserido em um cuidado planejado de acordo com suas necessidades.
“É um trabalho multiprofissional, em que uma área colabora com a outra para promover mais funcionalidade e autonomia. Quando o usuário chega ao CER IV, damos continuidade a esse cuidado de forma individualizada, considerando as necessidades de cada pessoa. Para aqueles que já possuem um diagnóstico, seguimos com o acompanhamento e as terapias indicadas. Já nos casos em que ainda não há um diagnóstico definido, o usuário passa pelas avaliações necessárias para que a equipe possa identificar as melhores estratégias de cuidado”, explica Deborah Montenegro.
Ampliando atendimentos – Desde a inauguração, em abril deste ano, o CER IV vem ampliando gradualmente o número de usuários atendidos e consolidando seus fluxos de assistência. Atualmente, cerca de 1.500 pessoas já são beneficiadas pelo serviço, que reúne atendimento nas áreas de reabilitação física, auditiva, visual e intelectual, além da assistência especializada às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“Estamos estruturando o serviço de forma gradual, ampliando o número de usuários e consolidando os fluxos de atendimento. Atualmente, cerca de 1.500 usuários já são beneficiados pelo CER IV e a nossa expectativa é chegar a uma média de 6 mil atendimentos multiprofissionais por mês, além de mais de 2 mil atendimentos médicos. Com isso, queremos ampliar cada vez mais o acesso da população às quatro modalidades de reabilitação e ao atendimento especializado para pessoas com autismo”, afirma Deborah Montenegro.
Por trás de cada atendimento realizado no CER IV, existem histórias, desafios e conquistas que ultrapassam os limites da reabilitação. Para famílias como a de Miguel, o cuidado oferecido pelo serviço também significa ter suporte para enfrentar a rotina e seguir descobrindo novas possibilidades. Para usuários como Sr. Manoel, cada avanço diário representa a retomada de uma função, de mais autonomia e, principalmente, de maior qualidade de vida.

É nesse olhar para a pessoa em sua integralidade que a gestão municipal busca fortalecer uma assistência especializada que una eficiência, qualificação profissional e cuidado humanizado. Mais do que ofertar terapias e atendimentos, o compromisso da SMS é garantir que cada usuário seja acompanhado com respeito às suas particularidades, considerando também o impacto da deficiência na vida de toda a família.
“Diagnóstico não é destino. O intuito do Centro é mostrar ao usuário que é possível adaptar à realidade daquela deficiência e buscar uma qualidade de vida melhor. E isso não transforma apenas a vida do usuário, mas também a de toda a família. Hoje temos uma estrutura ampla, um serviço especializado e uma equipe multiprofissional que trabalha com cuidado contínuo, respeito e acolhimento”, destaca Deborah Montenegro.
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